Abril 1, 2009

Notícias

Breve resumo (abstract):

este blog ainda existe, mas o tempo está muito curto para maiores comentários. Quero destacar algumas coisinhas que têm me chamado muito a atenção ultimamente.

*a crise parece ter dado um balanço na geral e está todo mundo meio que maluco por dinheiro. Inclusive eu, mas estou mais maluca mesmo por causa do meu projeto de mestrado. A revisão do Plano Diretor de Porto Alegre parou de bombar um pouco, devendo em breve voltar à arena de discussão. Falando em arena, vamos nos atualizar, né. Nas últimas semanas esse lance de redes sociais pulverizou opiniões, nos trouxe novidades e entretenimentos reflexivos, tem uma galera trocando argumentos, uau! Faço gosto. Procurem no Google por vocês mesmos o que é uma rede social se não sabem e quais são os pré-requisitos para esse conceito não cair em desgraça na Web.

*devo um post sobre Um Certo Oriente para Welter que sairá em breve, entre outras dívidas.

*no mais, se eu sumir, poderei estar sob perseguição política, atuando com discrição, exilada ou bem faceira descansando, porque está fogo, caríssimos.

Too much work!

Enjoy!

Fevereiro 10, 2009

Escreve fácil

Lê-se muito por causa das atribuições acadêmicas, porém, de uns tempos para cá voltei a dar atenção à literatura, que andava meio esquecida na pilha de livros e contatei então minha assessora para assuntos literários (hrs). Estou dedicando as horas antes de dormir aos brasileiros contemporâneos. Agora, no verão de derreter os miolos em São Borja, me refresco na umidade de Relato de um certo Oriente, do Milton Hatoum. Em dezembro, li Cordilheira, do festejado Daniel Galera, e não me arrependi das horas envolvidas com o livro. Nem foram muitas horas, questão de uma madrugada e um final de tarde. Leio rápido, quando considero que aquilo foi escrito fácil, não é programado. Nem significa que estou menosprezando o trabalho do autor, pelo contrário, acho que escrever fácil, ainda mais literatura com todo a parte inventiva que a compõe de pronto, seja um grande mérito e para poucos. O texto do Galera é equilibrado geralmente, embora conduza o leitor a instantes glaciais e a outros extremamente sufocantes de tão pulsantes, intermediados por passagens de um lirismo atual, jamais brega e ao mesmo tempo de desconcerto. Considero Mãos de Cavalo o livro mais maduro, mas esse Cordilheira inova pela ousadia em se inscrever uma narradora mulher – escritora ruinzinha, diga-se de passagem – recheada de paradoxos superficiais, só superficiais, e só os paradoxos. Em réplica ao trecho da Welter, seleciono o meu. Linhas que considerei bem escritas e profundamente líricas:


Duisa era de poco hablar y obserbaba todo a su alredor, porque le gustaba mucho mirar la cordillera, ya que se había criado en la provincia de Buenos Aires. (…)

Me deu um nó na garganta. Imaginei Duisa na varanda da casinha de madeira instalada numa estância solitária da baía Aguirre, calada dias a fio, num frio danado, cercada de ovelhas, longe do grande centro urbano onde cresceu, olhando a cordilheira enquanto é observada em segredo pelo marido que décadas depois, aos noventa e tantos anos, idada em que ele forneceu os depoimentos que compunham o livro, teria pouco mais que isso a dizer dela. Duisa olhando a cordilheira, várias vezes por dia, sempre que as tarefas domésticas e maternas lhe davam trégua, às vezes por horas seguidas. O olhar gravado nas montanhas nevadas e o marido registrando esse hábito como a expressão máxima de sua personalidade. Fechei o livro. (p. 63)

Janeiro 22, 2009

Surpresas da família suína

Prática corriqueira entre texanos, constantemente trago artigos do ramo carnívoro de São Borja para os dias de labuta estudiosa e profissional em Porto Alegre. O pasto por aqueles lados é reconhecidamente bom e capaz de resistir às secas da Fronteira Oeste sem grandes perdas nas gramíneas verdes. Perde-se soja, arroz, milho, mas as pastagens seguem alimentando os bois e ovelhas. Alguns animais usufruem de ração industrializada, embora não estejam em um regime de confinamento. Até mesmo pelos acessos das BRs-285, 287, 472, avista-se a boiada pastando nas planícies. Adentrando-se os rincões do município, as carneadas nos finais de semana são programas certos.

Chego em Porto Alegre com diversos saquinhos de bifinhos, costelinhas e chuletas para o deleite da correria semanal e o churrasquinho do final de semana. Prioritariamente, a carne é bovina. Às vezes trago uma costeleta de ovelha para um assado daqueles que causaria inveja na querida governadora Yeda Crusius. Esse processo ocorre normalmente a cada ida ao interior, varia de semestre em semestre a frequência, mas lá vamos nós ver a parentada na terrinha ao menos três vezes ao ano e dispensar por alguns dias a carne de origem duvidosa da capital.

Hoje, sem grandes correrias e angústias, em vista de já ter parcialmento definido os temas da encrencas, digo, dos trabalhos do semestre, me dirigi à geladeira em busca de um bom assado para celebrar e deixei descongelando. Encontrado o último dos saquinhos, bem cheio e recheado, abro e me deparo com uma carne de aspecto diferente do que costumo trazer e, pimba, alguém colocou na sacola do abigeato uma baita costela de porco. O que fazer? Não sou muito chegada a carne de porco. Não há saída, já está descongelada. É fazer ou fazer. Recorro ao simplificado sal, alho e fio de óleo em fôrma ampla rumo ao forno. Ainda não sei o resultado, mas o cheiro está de tirar o chapéu.

Janeiro 14, 2009

Só o Odair José salva

Tem muita gente que se faz de burra para passar bem. Se a maioria dos jornais são estúpidos e desnecessários, hoje isso é muito compreensível. O que falar de revistas, então, com mais tempo para a reprodução da bobagem. A Maysa disse uma frase ótima, não Maysa, Maysa. A Larissa essa, mas sendo a Maysa. A frase era algo como “eu não suporto gente burra”. Frase batida, Nelson Rodrigues deve ter dito várias vezes, copiando a Maysa, porque, claro, ela é uma artista muito superior a ele. A Maysa devia ter entendido – tsc, eu não estava lá para dizer para ela isso – que a coisa liberou geral mesmo e vem desde aquela época. Você simplesmente recebe para pensar pelos outros ou, mais normal, fazer o que outros pensam. Até aí tudo bem, porque você pode ficar tirando onda do que acontece ao seu redor e tudo bem. O lance é quando você cansa, perde a graça, tipo: deu.

Ontem fomos ao Sarau Elétrico, e era sobre grandes letristas. Falaram muito nos escritores pernósticos ululantes e nos que conseguem escrever grandes maravilhas de maneira simples. Acho que esqueceram de falar dos pernósticos que escrevem grandes maravilhas. Imaginem! Grandes textos a pessoas “autorizadas” por critérios louváveis para terem o feliz destino de tomarem conhecimento de tão preciosas palavras e idéias. Ui, chego a me arrepiar. Afinal, a gente quer é ser especial, né? Afinal, a gente quer ser inteligente, bonita e ter um grande amor. Fiquei meio triste, o Moreno não estava presente. Aquela pessoa incrível que se refere aos alunos de cursinho como “débeis”. Coisa mais fina e corajosa que isso não vejo há uns 10 anos. Estou falando sério. Ele não sugere que você é, ele DIZ que você é burra (o).

Puro papo furado esse lenga lenga da Maysa ter medo de amar e não ser amada, dessa busca insana por um amor perfeito. Pô, a louca não tem nada que a sacie, ok. É muita responsabilidade para um quartel inteiro de heterossexuais, baby. Como se eles existissem. E é muita carga também falar coisas inteligentes a maior parte do tempo, ter uma idéia interessante, uma boa introdução, argumentação coerente, com um fim encadeado. Quem dera, deus da inteligencia, disposição para produzir três artigos decentes nas férias? Quem poderá nos salvar, Maysa, quem? Odair José.

Novembro 19, 2008

A hora não importa

O disco amarelo iluminou-se. Dois dos automóveis da frente aceleraram antes que o sinal vermelho aparecesse. Na passadeira de peões surgiu o desenho do homem verde. A gente que esperava começou a atravessar a rua pisando as faixas brancas pintadas na capa negra do asfalto, não há nada que menos se pareça com uma zebra, porém assim lhe chamam. Os automobilistas, impacientes, com o pé no pedal da embraiagem, mantinham em tensão os carros, avançando, recuando, como cavalos nervosos que sentissem vir no ar a chibata. Os peões já acabaram de passar, mas o sinal de caminho livre para os carros vai tardar ainda alguns segundos (…). O sinal verde acendeu-se enfim, bruscamente os carros arrancaram, mas logo se notou que não tinham arrancado todos por igual. O primeiro da fila do meio está parado, deve haver ali um problema mecânico qualquer, o acelerador solto, a alavanca da caixa de velocidades que se encravou, ou uma avaria do sistema hidráulico, blocagem dos travões, falha do circuito eléctrico, se é que não se lhe acabou simplesmente a gasolina, não seria a primeira vez que se dava o caso.

(Ensaio sobre a cegueira, p.1, José Saramago)

Esse trecho do início do livro do Saramago é o responsável, numa margem de 70%, que acabo de mensurar e tirar da manga (hehe), por empurrar o leitor adentro das mais de 300 páginas do romance. Provavelmente por isso abrir esse livro possa ter sido uma das melhores e piores coisas para alguém, depende da pessoa, vai saber. Há outras tantas passagens no decorrer da história dignas de comentário, mas pinço essa em específico pela construção da imagem e por te prender de cara. É corriqueira, cotidiana e real, oferece um espaço para analogias vasto e sugere uma grande pressa, voracidade e maniqueísmos dos motoristas e pedestres, em lados opostos, até que um homem fica cego dentro de um carro.

O filme do Fernando Meirelles não ficou devendo ao livro no cerne. O cineasta refez mais de duas vezes a montagem e, ainda assim, embora a crítica tenha desprezado a linguagem e talvez uma excessiva moralidade, o Saramago gostou. Platão gostaria certamente. Eu, gostei MUITO tanto do livro, quanto do filme. Não importa a época ou a mídia, o mito da história é um dos mais impactantes que já tive conhecimento.

Novembro 2, 2008

Pretérito imperfeito

Não existe amor impossível sem frieza

Outubro 23, 2008

Vilão bom

Veja bem esse rosto. O Sylar é um picaretinha que come cérebros, mas convenhamos, um charme, né? Ai, suas feições me remetem à real life. Facilita, a realidade seja mais interessante que a ficção. Não duvido nada. ;)

Setembro 26, 2008

Marketing

Pensamento do dia:

falaram que eu estava com ares de Maria do Rosário em uma das tardes ensolaradas desta semana.

Será que isso continha alguma mensagem subliminar?

1. Claro que não, vcs duas são bonitas.

2. Óbvio, em Porto Alegre todo mundo se conhece.

3. Ah, não se preocupe com isso, Jousi, vá rezar.

Aberto para votações.

Setembro 18, 2008

Essa vida pública na privada

Semana passada consecutivamente, da quarta à sexta-feira, encontrei a Manuela d´Avila (Mercado Público), a Luciana Genro (Via Imperatore) e a Maria do Rosário (na portaria do CPovo). Constata-se imediatamente que as três candidatas estão caprichando no visual. A Manuela estava com uma equipe de fotógrafos, repórteres e câmeras gravando entrevistas, falando com as pessoas. Uma equipe bem in diga-se de passagem. Ela investiu nesse lance jovem, bonita e engajada, né? Eu sei lá, mas para tocar uma Prefeitura, num cargo executivo, tem que ter café no bule. O vice dela, dizem, é um cara mega chato. O tal de Berfram Rosado. Até não dá para condenar pela coligação, mas se o cara é chato, bah, a coisa complica.

E pensar que eu estava pensando em votar na Luciana Genro no início das campanhas. Ok, pode rir. Mas é a falta de opções mesmo, afinal era a única que apresentava um senso mínimo de crítica, reclama do lixo da cidade, essas coisas. De qualquer maneira, se a Vera Guasso dissesse que iria ao menos tentar trabalhar com o  futuro das pessoas que moram na rua e se entopem de cola ou ficam nos botecos atucanando quando a gente senta pra tomar uma cervejinha, me atirava. Claro, teria que apresentar um programa consciente de inclusão, etc. Idealismos, idealismos.

Mas mudei de idéia quanto à Luciana, mudei e fiquei sem idéia na real. Esse lance, bem observado pela Welter, de que ela tem raiva, mas…. do mal, com uma cara de candura e chapinha, não deu pra aguentar, jesuix. A Rosário parece ter café no bule e não fez nenhuma grande furada, mas é petista e tem tanta lambança por esses lados que coloca em dúvida a credibilidade da mulher, coitada.

Com esse panorama, o Fogaça lidera, ali ali, e lidera. Daí penso com meus botões: já que Manuela e Rosário tem o Lula em comum, por que elas não fizeram uma chapa única? Então, eis que entra o pessoal, sempre ele. Consta que Rosário, quando conquistou seu primeiro mandato como vereadora em Porto Alegre,  lá  por 1993 parece, era do PCdoB. Um ano na Câmara, trocou o antigo partido pelo PT, sendo reeleita em 1996 como a vereadora mais votada. A galera do PCdoB ficou furiosa. Nessa época a Jussara Cony, hoje aposentada no legislativo por seus 20 anos de “trabalho”, era A voz do PCdoB e fez de Manuela a sua herdeira política. Rosário virou alvo, então, de toda a mágoa e revolta dos comunistas, especialmente da mocinha, que até hoje não perdoa a traição. Mas tem lá seus amores – ou teve – por um petistão bem bonito de São Paulo. Sem contar tantas outras coisitas que devem ter nesse rolo. Vai entender.

p.s: Interessante a performance do Owen Pallet, semana passada, no Santander. O manejo do sampler e a destreza com os pés na composição são notáveis e ele parece muito independente no palco. Arriscou No Cars Go do Arcade Fire, banda com a qual toca às vezes, e foi lindo.